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Relatos de quarentena - Equipe Adede y Castro

Antes dos decretos executivos que determinaram a suspensão dos empreendimentos que desenvolvem atividades não essenciais, conscientes da nossa responsabilidade coletiva no combate ao covid-19, decidimos que a partir do dia 19 de março não estaríamos mais realizando atendimentos presenciais no escritório.



Permanecemos em contato com todos os nossos clientes pelos meios usuais (telefone, WhatsApp e e-mail), bem como seguimos trabalhando sob regime de plantão, atendendo demandas urgentes relacionadas às nossas áreas de atuação.


Estamos passando por um momento crítico e é necessário que saibamos, enquanto sociedade civilizada, cuidar uns dos outros, agindo de forma consciente e responsável.


Hoje, nossa equipe fala como tem sido o período de quarentena:


João Marcos Adede y Castro

Advogado (OAB/RS 85.239)

DEUS ESTÁ CONOSCO. Tempos atrás eu publiquei uma crônica em que dizia que sentia Deus. Nunca senti tanto Deus como agora, com tanta doença, morte, sofrimento, incerteza de futuro. Alguns dizem que Deus é mau, porque deixa as pessoas sofrerem e morrerem, quando podia salvá-las.


Eu digo: Deus permitiu que seu único Filho, Jesus, morresse de forma tão cruel porque é mau? Será que a morte de Jesus não teve nenhum significado, não rendeu nenhum fruto? Como que alguém nascido há mais de dois mil anos, que pregava para pequenos grupos, em locais pobres e distantes da civilização, sem rádio, televisão, jornais, internet, WattsApp, e-mail, carros, trens, aviões, pode ter gerado essas bilhões de pessoas que o adoram, falam dele, rezam e choram por ele?

À época livros praticamente não existiam, os poucos que circulavam eram copiados um por um a mão e, por isso, eram caros e raríssimos. Apenas alguns poucos reis e raros sacerdotes sabiam ler e Jesus nunca escreveu uma palavra!

Qual é o segredo dessa adoração? Qual empresa de marketing moderna construiria um mito como Jesus que já dura dois mil anos e durará para sempre? Jesus pregava o amor, o perdão, a tolerância, a compreensão.

Alguns não acreditam que Jesus tenham tido existência física e eu digo: se assim fosse, se Ele fosse apenas um personagem de literatura religiosa, não seria ainda mais extraordinário? Deus nos deu livre arbítrio, que é a liberdade de escolher entre o certo e o errado, entre a vida e a morte. Nos oferece o tempo todo opções e, quando escolhemos a pior, não é culpa Dele, mas nossa.

Então, as desgraças, a infelicidade e a morte não é castigo de Deus, porque ele é bom, amoroso e misericordioso, mas simples consequências de nossas escolhas. Assim, Deus nos deu a Ciência, e ela nos manda ficar em casa, isolados.

Deus está conosco nessa provação, mas se não ouvirmos os conselhos da Ciência, que nos é dada por Ele, pagaremos com a doença ou com a morte. Por culpa nossa, não Dele. Pense nisso.


Mirele Schultz Adede y Castro

Advogada (OAB/RS 75.290)

Oito dias já de reclusão social para mim e para a minha família, ontem fez uma semana que não pudemos trabalhar da nossa sede, trabalho somente das nossas casas, e não adianta, não é igual.


Por vezes eu penso “aff, tenho mesmo que ir trabalhar? Cumprir horário?”, e por ironia do destino o que mais gostaríamos hoje seria ter que ir trabalhar e cumprir o tal horário, mas agora não temos opção, o coronavírus nos impôs isso, ficar em casa, ficar longe da família, então estou fazendo a minha parte. Sem visitar os amigos, sem ir na minha mãe, sem ir no meu pai, ou nos meus irmãos.

Tem dias que sinto que meus pais, meus amigos e meus irmãos estão bastante irritados ou preocupados, assim como eu, irritados de estar trancados dentro de casa, de ouvir tantas notícias ruins, de só se falar naquilo, vinte e quatro horas por dia, e preocupados com a economia que sabemos, vai afetar à todos desde os pequenos como nós, como as grandes empresas.

Mas mais preocupada ainda, estou com meus amigos e familiares que não podem se dar ao luxo de ficar em casa, meu marido, policial, minha irmã, enfermeira, meu cunhado, médico anestesista, uma das minhas melhores amigas, médica infectologista, entre outros tantos amigos e familiares da área da saúde e da segurança pública, que não poderão ficar em casa para se proteger e proteger a família. Eles estão na ruas e hospitais para o bem da família de vocês, será que poderiam ficar em casa para o bem da nossa?

Eu não sei por que Deus nos reservou esse período de reclusão, mas algum propósito deve haver, teremos que esperar os próximos capítulos para saber. Espero estar aqui quando os capítulos forem escritos, espero que daqui um tempo tudo volte a ser como era antes, com o dever de ir trabalhar, o dever de cumprir horário, a falta de tempo para tudo, a correria louca do dia a dia, o cansaço diário de que tanto sinto falta.

Espero vocês todos lá, no futuro próximo, pra dizer que vencemos e sobrevivemos ao Covid19!


Tiago Adede y Castro

Advogado (OAB/RS 96.782)

Sexta-feira, 4 da tarde, e os apartamentos estão cheios. A garagem do edifício em que moro está repleta de carros, e, pelos corredores, escuto o som das televisões e das pessoas conversando. Sinto o cheiro do bolinho de chuva com canela e da pipoca e, no elevador, vejo uma lista de nomes e telefones de pessoas dispostas a fazer compras em mercado para os vizinhos idosos. Sinto saudade dos meus pais e dos meus avós, com quem não tive mais contato desde o dia 15 de março, oportunidade em que comemoramos o aniversário de 82 anos do meu avô materno.


Também sinto saudades da minha rotina profissional, da convivência com meus irmãos, do contato com os clientes. Sinto saudade até da bagunça do calçadão, ora vazio, e da lida no fórum, com os encontros que a advocacia nos proporciona pelos corredores do mundo jurídico. Sinto saudades de uma época pouquíssimo distante, há poucas semanas, quando com meus amigos nos reuníamos em um bar e conversávamos sobre a vida, sem imaginar que dentro de pouco tempo teríamos nossas liberdades restritas.


Tenho ocupado meu tempo trabalhando de casa, dando andamento nos processos e produzindo conteúdo para o blog e redes sociais do escritório, ao lado de minha esposa e nossa filha canina. Nosso isolamento está tranquilo e, apesar das naturais angústias, estamos buscando viver um dia de cada vez. A quarentena tem sido um momento de reflexão, tanto sobre meu papel na sociedade enquanto advogado, como meu papel como ser humano, filho, esposo e amigo. O sentimento é de que, neste momento, mais do que nunca, devemos cuidar de nós e das pessoas que amamos. Penso que precisamos ser gratos pelas nossas famílias, às pessoas que nos amam, e estar à disposição de quem mais precisa.


Passaremos por isso juntos, mesmo que distantes, como sociedade civilizada e como espécie humana.


Meu pedido é que Deus reforce o sentimento de esperança em nossos corações, que saibamos que, dentro de pouco tempo estaremos a salvo desta situação que assola o mundo inteiro. Que sejamos fortes e corajosos. Deus não nos abandonará jamais, Ele está conosco a cada passo.


Estamos, e estaremos sempre à disposição de quem precisar do nosso trabalho e da nossa atenção.


Ana Paula Adede y Castro

Advogada (OAB/RS 106.730)


Digamos que casar com um médico, ou melhor, com um estudante de medicina, na época, não era exatamente o que estava nos meus planos. Mas quem escolhe, não é? Neste momento da pandemia escolhi confiar.

São muitas as notificas ruins, péssimas e horríveis, inclusive, envolvendo profissionais da saúde. Tive que desligar.

Ao mesmo tempo, sou uma feliz advogada militante das causas do direito à saúde e me preocupo, em um todo, com a segurança dos profissionais de saúde.

Continuamos os trabalhos, pensando naqueles que precisam do mais atencioso atendimento e naqueles que merecem nosso respeito e atenção por estarem arriscando suas vidas e de suas famílias.

A falta de material de proteção individual coloca os soldados na guerra sem qualquer tipo de vestimenta. Estes profissionais que se contaminarem, muito provavelmente levarão o vírus para dentro das suas casas.

Agora, coloque-se nos nossos lugares: esposas, maridos, filhos dos profissionais de saúde que estão nos hospitais e postos de atendimento sem qualquer tipo de apoio e proteção. É desesperador.

Depois de uns dias de pura ansiedade, em família, decidimos confiar que Deus tem o melhor, que ele nos capacitará e nos protegerá de todo o mal. Deus está comigo no vale da sombra da morte. Ele não me colocou la, mas não vai desperdiçar.

Sigam as orientações de higiene e mantenham-se em casa até enquanto as autoridades sanitárias determinarem.


Ricardo Luís Schultz Adede y Castro

Advogado (OAB/RS 58.941)


Ah, o coronavírus!

Confesso que ainda não tenho muita certeza acerca da efetiva necessidade da quarentena. Aliás, não tenho certeza de nada.

Dizem que para afastar a pandemia, bastaria que 60% da população estivesse contaminada. A solução parece simples. Mas não foi simples nos países que adotaram essa prática, que agora impõem a quarentena que estamos submetidos há pelo menos uma semana, porque não funcionou.

Embora as autoridades digam que a contaminação se dá através do contato das mãos com a boca e olhos, as mesmas autoridades lavam as ruas e calçadas da cidade com solução de água sanitária. Temos que lavar os calçados quando chegamos em casa. Então, se o vírus está nas ruas e calçadas, podemos, mesmo, fazer exercícios ao ar livre? Os especialistas dizem que sim, eu não tenho tanta certeza. O vírus está nas superfícies, dizem os especialistas. Mas, temos certeza absoluta que não está no ar? Em verdade, não temos certezas absolutas de nada.

Para mim, duas certezas são absolutas.

A primeira. Não quero que meu país passe pela desgraça humanitária que Itália e Espanha estão experimentando. Embora não acredite muito nisso, porque Deus não é brasileiro, e nosso povo não é tão consciente. Até poucos dias havia multidões na praia e no Grenal! Não quero filas de caminhões carregando caixões porque deixamos de tomar medidas que, segundo os especialistas, seriam as mais adequadas.

A segunda é que, se precisamos nos isolar para evitar superlotação nos hospitais, nossos governos, TODOS eles, federal, estaduais e municipais falharam muito! De todos os partidos e colorações partidárias! Tivessem investido na saúde como deveria, talvez não estivéssemos tão vulneráveis. São quase 520 anos de negligência!


Quase, porque “comemoraremos” EM CASA o “descobrimento” desse maravilhoso país, abençoado por Deus e bonito por natureza...

Óbvio que teremos problemas econômicos. Me preocupo muito com isso. A advocacia não é uma das atividades mais seguras, economicamente falando. Com essa situação, tende a piorar. Mas da crise surgem as oportunidades. Essa é a esperança.

Lá no dia 16/03, quando reunimos um grupo de advogados para discutir eventual quarentena, minha convicção é que não tínhamos como parar. Os colegas que quisessem adotar o regime de home office (como diz o Ministro Mandetta, brasileiro adora uma expressão estrangeira) que assim o fizessem, eu continuaria trabalhando presencialmente. Só deixaria de comparecer ao escritório quando fosse proibida a atividade. Minha convicção se desfez em pouco mais de 24 horas. É tudo muito rápido.

Estou em home office (trabalhando em casa de bermuda e chinelos) desde 17/03, e confesso que não é fácil. A concentração não é a mesma. A ansiedade, as incertezas. As preocupações que afligem a todos nós, como sociedade, com a economia, com a família. Quando acaba isso tudo meu Deus?!?

Mas vamos em frente, não temos alternativa. O bem vencerá o mal. Espero. A menos que viremos uma versão tupiniquim do Walking Dead ou Resident Evil, mordendo uns aos outros...


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